The Psychological Effect by Ana Oliveira

Inclusão emocional nas organizações: Nem todos vivem o Natal da mesma forma

O final do ano é habitualmente marcado por celebrações, balanços e mensagens positivas. No entanto, no contexto organizacional, é fundamental reconhecer uma realidade muitas vezes invisível: para algumas pessoas, esta época pode ser emocionalmente desafiante.

Solidão, luto e ansiedade no contexto laboral

O Natal e o encerramento do ano tendem a intensificar emoções já existentes. Entre as mais frequentes destacam-se:

  • Solidão, especialmente em pessoas afastadas da família, em transição de vida ou que não se identificam com celebrações tradicionais.
  • Luto, recente ou antigo, que pode tornar-se mais presente em datas simbólicas.
  • Ansiedade, associada a expectativas sociais, pressão financeira e à avaliação do próprio percurso ao longo do ano.

No local de trabalho, estas vivências raramente são verbalizadas. Muitos colaboradores mantêm o seu desempenho e rotina, apesar de se encontrarem emocionalmente sobrecarregados.

O impacto da comunicação organizacional

Quando as organizações adoptam uma narrativa única de felicidade e celebração, por exemplo, utilizando frases como “esta é uma época feliz para todos”, podem, ainda que de forma involuntária, excluir quem não se revê nesse discurso.
A inclusão emocional não implica eliminar celebrações, mas sim comunicar com sensibilidade, reconhecendo a diversidade de experiências humanas.

Inclusão emocional como prática organizacional

Organizações emocionalmente inclusivas:

  • Respeitam diferentes formas de viver esta época
  • Evitam impor estados emocionais
  • Promovem empatia e escuta activa
  • Oferecem flexibilidade sempre que possível
  • Reforçam canais de apoio psicológico e bem-estar

Estas práticas contribuem para um ambiente de trabalho mais seguro, saudável e sustentável, não apenas em Dezembro, mas ao longo de todo o ano.

Mais do que uma época, uma cultura

Reconhecer que nem todos vivem o Natal da mesma forma é um passo essencial para construir culturas organizacionais mais humanas e conscientes. A promoção da saúde mental nas organizações passa por aceitar a complexidade emocional das pessoas e criar espaços onde essa diversidade é respeitada.

Cuidar das pessoas é também isto: estar presente quando o discurso fácil não chega.

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